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Goleiro Jean ganha moral e nova chance como titular

Mesmo com a saída de Muriel, o Bahia iniciará 2017 sem contratar um goleiro. A comissão técnica tem confiança de que Jean, em seu terceiro ano como profissional, tem plenas condições de assumir a vaga.

O Esquadrão ainda pretende trazer um arqueiro experiente visando à Série A, mas a prioridade nas competições deste início de ano – Baianão e Copa do Nordeste – será do prata-da-casa, de 21 anos.

Tanta confiança surge porque, segundo a diretoria, Jean surpreendeu a comissão técnica com sua evolução ao longo do último semestre, o que teria ficado claro nos três jogos que fez pela Série B – contra Ceará, Vila Nova (derrotas por 1 a 0) e Sampaio Corrêa (empate em 0 a 0).

“2017 é o ano da minha vida. Faz dois anos que estou esperando por essa oportunidade”, disse Jean. “Em 2015, cheguei a ter uma sequência, mas quando voltei da seleção [olímpica] perdi a vaga porque Douglas [Pires] estava muito bem. No ano passado, assim que Lomba saiu, assumi o gol por estes três jogos e logo depois chegou Muriel, que é um goleiro experiente”, alegou.

O garoto sonha alto, e quer chegar à Seleção principal: “Estou trabalhando para isso. Sou novo ainda, mas já penso em estar na Copa do Mundo de 2018. Se a gente não sonhar, não alcança”, disse. “Encontrei o presidente nas férias e ele me perguntou: ‘vai me dar o título brasileiro esse ano’? E eu respondi: ‘vou tentar, mas a vaga na Libertadores, com certeza’. Vamos brigar lá em cima”.

Evolução fora de campo

Segundo o treinador de goleiros do Bahia, Thiago Mehl, a evolução de Jean no último semestre foi mais comportamental do que técnica: “Quando cheguei ao clube [janeiro último], me falaram que ele estava dando muito trabalho, que não tinha aceitado terminar o ano sem jogar. Meu maior desafio foi mostrar para ele que precisava amadurecer, que precisava deixar de ser um menino irresponsável”.

“Ele sabia que no ano passado, com Lomba e depois Muriel, a chance de ele jogar era pequena. Então, aceitou trabalhar com essa meta de buscar o amadurecimento, o que foi cumprido”, disse Mehl. “Ele teve a oportunidade de jogar aqueles três jogos, e acho que todos, da torcida à imprensa, concordam que ele foi bem”.

Ainda no primeiro semestre de 2016, Jean mostrou desequilíbrio ao se envolver em brigas com adversários do Santa Cruz, na semifinal da Copa do Nordeste, e do Vitória, na final do Campeonato Baiano. Mehl diz que usou aqueles episódios para trabalhar o psicológico do garoto: “Jean é muito competitivo, não gosta de perder nada, defende o Bahia e os companheiros sempre. Mas ele estava extrapolando demais nisso”, concluiu. “Na época, mostrei alguns exemplos negativos de outros atletas a ele, que não adiantava agir daquela maneira. E ele entendeu”.

Para o treinador, o que cabe ao jovem agora é mostrar em campo que está mais equilibrado: “Ele é muito enérgico. Você vê que Jean era sempre o primeiro a pular do banco de reservas para comemorar os gols com os colegas. O desafio dele é controlar isso nos jogos. Naqueles três jogos, conseguiu, e passou segurança”.

“A questão de Jean é mesmo psicológica. Tecnicamente, ele é um fenômeno. Essa não é a minha opinião apenas, é a de todo o meio dos preparadores de goleiros. Jean tem tudo que o futebol do mundo procura hoje: é rápido, ágil, sabe jogar com os pés, sabe fazer cobertura defensiva”, disse Mehl.

“Eu sei que existe desconfiança por parte da torcida, mas ele é uma joia que o Bahia tem e merece ser tratado com carinho. Já trabalhei com garotos como ele e posso dizer que é um fenômeno. Garantir que ele não repetirá o comportamento negativo a gente não pode, mas posso dizer que dificilmente ele terá. Hoje, se Jean tiver apoio da torcida, vai fazer coisas muito grandes”.

Fonte

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