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“Vim para o Bahia sabendo que era a oportunidade de minha vida”, diz Juninho

Juninho terminou 2016 como um dos destaques do Bahia. Líder em desarmes, passes certos e em chances criadas, ainda foi o terceiro maior goleador do Tricolor na Série B, com seis gols, mesmo jogando a maior parte do campeonato como volante. Com contrato até o final do ano que vem, o atleta já negocia uma extensão do vínculo por pelo menos mais uma temporada. Na entrevista exclusiva para A TARDE, Juninho fala sobre a negociação e porquê só apareceu num time grande agora, aos 30 anos:

Esperava um primeiro ano no Bahia tão bom assim, com a torcida te considerando um dos ídolos do acesso?

Ah, não, eu só tenho a agradecer, desde o começo do ano. Quando cheguei, achei que a torcida ia ficar com desconfiança por eu ter vindo de uma equipe que caiu para a Série C, mas pelo contrário, desde o começo eles me trataram com carinho e aos poucos fui ganhando o meu espaço. Com a chegada do Guto tive uma regularidade boa e veio o reconhecimento da torcida, que é o maior bem do Bahia. Entrei na seleção do Campeonato Baiano, na seleção da Copa do Nordeste e agora na seleção do Brasileiro. Foi um ano fantástico no individual e para coroar o grupo conseguiu o acesso.

Sob comando de Doriva, você jogava como meia. Com Guto, virou volante e seu futebol apareceu mais. Concorda que essa mudança foi fundamental no seu desempenho?

Na verdade, comecei a carreira no Duque de Caxias como meia. Depois, o técnico Gilson Kleina fez um teste e me colocou para jogar de segundo volante. Acabei me adaptando muito bem e de lá para cá me mantive nessa posição. Por isso não tive muita dificuldade de jogar como o professor Doriva queria, de meia, e depois, no começo da Série B, como segundo volante. Quando Guto chegou, ele me colocou de primeiro volante, onde nunca tinha jogado, e eu consegui me adaptar bem. Saí para o jogo, fiz gols. Acreditei na proposta do Guto e deu muito certo.

Concorda que 2016 foi o melhor ano da sua carreira?

Em termos de gols e pela importância de jogar no Bahia, sim, é o melhor ano da minha carreira. Mas já tinha feito outros grandes anos, só que não tinha a visibilidade que o Bahia tem. Por isso, acabava passando despercebido. Só joguei em time pequeno, não tinha ninguém para cuidar da minha carreira. Acredito que em 2017 a cobrança vai ser bem maior por conta de tudo o que fiz em 2016.

Você já tem 30 anos e só teve chance num grande time agora. Por que você demorou tanto para aparecer?

Joguei sete anos no Duque de Caxias e sempre tive contrato longo. Quem fazia meu contrato era eu mesmo, então minha valorização salarial era muito pequena, porque não tinha muita noção do mercado. As propostas dos outros clubes não chegavam até mim, só para o clube. Como na maioria das vezes não eram financeiramente o que o clube queria, eles não passavam para mim, e eu só ficava sabendo delas depois que eram rejeitadas. Para o clube, eu tinha um custo-benefício muito bom, já que era um jogador barato e que dentro de campo resolvia. Então, para eles, era melhor que eu ficasse, porque se me negociassem, onde que eles iam encontrar outro jogador para fazer minha função por aquele preço? Por isso eles ficavam lá, me prendendo…

Como foi que isso mudou?

Eu só consegui meu empresário (Eduardo Uram) quando fui para o América-MG, por empréstimo (em 2013, aos 26 anos). Tive bom desempenho e até hoje não sei o motivo de não ter ficado lá, aliás. Como eu tinha contrato longo com o Duque de Caxias, tive que retornar. Mas tudo isso serviu como aprendizado. Se só apareceu a oportunidade de vir para um clube como o Bahia agora, acho que foi porque era para ser assim. Por outro lado, me preparei e hoje sou um cara mais maduro, acho que até por conta disso fiz um ano tão bom.

Como está a negociação para renovação? Verdade que você quer ficar por mais tempo?

O clube quer renovar comigo até 2018, e eu já tinha conversado com meu empresário de que eu queria um contrato até 2019. Ele já conversou alguma coisa em termos de valores com o presidente e ficou de acertar com ele ainda essa semana. A expectativa é boa, minha intenção é de ficar aqui e a do clube também. Então tem tudo para dar certo.

E você tem recebido propostas de outros clubes?

Então, cara… Empresário vive do momento do jogador. Como o meu momento é muito bom, meu empresário tá doido para me negociar, até porque apareceram muitas propostas por mim, tanto do Brasil como de fora do país. Mas eu já deixei claro que estou feliz aqui e que quero ficar. Agora estou rezando a Deus para que assine logo.

Então você vai abrir mão de uma proposta de um clube de fora por conta do Bahia?

Não que eu não tenha o sonho de jogar fora um dia, mas meu desejo é de continuar aqui. Estou feliz, trabalhei muito para viver isso, jogar num clube grande, disputar uma Série A pela primeira vez. É um lugar que a torcida gosta de mim, e onde já estou adaptado.

Você chega à Série A como um dos destaques do time. Está preparado para a cobrança?

Sem dúvida, trabalhei para isso. Quando você chega a um nível de jogo alto, a cobrança para que continue vai vir automaticamente. Não é agora, que eu cheguei até aqui, que vou deixar escapar essa chance. Eu vim para cá sabendo que era a oportunidade da minha vida, e queria dar meu melhor em campo para poder aproveitar a oportunidade. Além disso, acredito que a diretoria vai montar um time forte e teremos outros jogadores para dividir essa responsabilidade comigo.

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