Bruno Soares e Marcelo Melo chegam nos jogos do Rio após quatro anos de sucesso

Para a maioria dos esportistas de alto rendimento, podemos considerar que um ciclo dura quatro anos, período compreendido entre duas edições olímpicas. Porém, no mundo dos tenistas, a história é mais ampla. Isso porque, ao longo das 52 semanas do ano, em cerca de 40 eles estão em viagem na disputa de torneios que valem pontos para o ranking, atualizado também semanalmente.

Assim, pode-se afirmar que o foco principal da carreira de um tenista profissional não está diretamente nos Jogos Olímpicos, o que não torna o evento menos importante. Aliás, no caso dos dois principais tenistas do Brasil, os duplistas mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares, o ciclo olímpico atual serve como comparativo de evolução.

Foi nos últimos quatro anos que os dois deram os principais passos da carreira, e está claro que a fase técnica atual é a melhor da trajetória de ambos. “Estamos no melhor momento da nossa carreira. Se é o auge, não sei, mas é o melhor que já tivemos”, garante Soares, atual número 8 do mundo nas duplas e que joga com o atual número 5, o britânico Jamie Murray.

Apesar de não serem mais parceiros fixos e atuarem juntos apenas esporadicamente, Melo e Soares, amigos de infância, continuam a dividir boas experiências.

“Nesse ciclo, viemos fazendo muita coisa boa juntos. Temos o mesmo preparador físico e fisioterapeuta e uma estrutura desejável para montar um calendário ideal e chegarmos ao nosso melhor nível”, avalia Melo, que abriu o ano como número 1 e é o atual número 6.

Ajustando o foco para o atual ciclo, os dois tenistas sabem que um bom passo foi dado em Londres 2012, quando foram eliminados nas quartas de final pelos franceses Jo-Wilfried Tsonga e Michael Llodra. “Tiramos muita coisa boa de Londres. Foi nossa primeira Olimpíada juntos, contra duplas duríssimas, principalmente naquele piso”, comenta Marcelo Melo.

“Evoluímos demais em quatro anos. Conquistamos muita coisa, muitos Grand Slams no caminho, crescemos em todos os sentidos. Estamos mais preparados, com mais Olimpíadas nas costas, já sabendo o que iremos encontrar”, analisa Bruno Soares, que, nos últimos anos, conquistou três Grand Slams em duplas mistas, além de um Grand Slam em duplas masculinas. Dois dos quatro Slams foram conseguidos neste ano, um com Murray e outro com a russa Elena Vesnina.

Marcelo também conseguiu o seu Slam, Roland Garros 2015, com o croata Ivan Dodig. Além disso, são três títulos de Masters 1000 (contra dois de Bruno), torneio inferior apenas aos Slams, dois no ano passado.

Um dia de treinamento: preparação técnica e mental

Repetição exaustiva, correções pontuais e a constante busca por aprimoramento e adaptação. Em praticamente todas as biografias de tenistas já publicadas, a importância dos treinos e os sacrifícios feitos para ir em busca do topo são citados como algo rotineiro, fator intrínseco à alma desse esportista olímpico.

Basta acompanhar um treino – o que foi feito pela reportagem na Copa Davis – para entender um pouco como é necessário fluir bem a parceria treinador-atleta.

Número 8 no ranking das duplas, Bruno Soares terá a sua frente um já conhecido rosto para treiná-lo visando às Olimpíadas, algo mais natural para seu parceiro olímpico Marcelo Melo, irmão de Daniel Melo, responsável pelo comando das duplas na Rio 2016.

“O Daniel (Melo) é um cara muito tranquilo; a gente se conhece há 30 anos, então tem muita amizade, muita liberdade em tudo. O João (Zwetsch, capitão do time Brasil) também é muito zen. Então, são dois caras que sabem a importância do dia a dia e do trabalho sério”, comenta Bruno Soares.

Além desse conjunto, cada tenista tem seus momentos de solidão dentro e fora das quadras, tendo que saber lidar com seus próprios medos e inconstâncias. Principal atleta do Brasil na simples, o paulista Thomaz Bellucci já recebeu diversos feedbacks de seu staff em relação à importância de aprimorar seu “jogo mental” para não sucumbir em quadra.

Ele é conhecido pelos seus altos e baixos durante as partidas e, ciente disso, procurou um trabalho de coaching, provando que o treino vai além das rebatidas em quadra; é ir em busca do “estado mental perfeito” citado por grandes tenistas, como Guga e Pete Sampras.

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